*Agradecida Laura Moreira pelo Tarô, mamãe Regina, pelo I-Ching. À vida pelas pessoas que já são minhas desde que nasci e pelas que fui encontrando pelo caminho. Gratidão de uma louca, desbocada e insuportavelmente cheia de opinião. E o peito abundante de amor e liberdade.
sábado, julho 30, 2016
Eremitando
Me perguntei há alguns meses porque cargas d'água um Eremita insistia em aparecer nos jogos que eu tirava. Já decidi não me esconder faz tempo, lutar até o fim por tudo aquilo que eu acredito, com amor e coragem. E ele estava lá, indo e vindo em todos os jogos. Não moço, agora não vai dar, eu vivo da minha imagem e nem é porque eu gosto, só eu sei que no fundo aprendi a aceitar isso. Networking, conhecer pessoas, estar aberta de corpo, alma e coração. Mas não, meu caminho era outro naquele momento, e talvez ainda esteja apenas passando por ele com a impressão de já estar no final. Talvez seja só uma impressão. O caso é que tenho andado sozinha ainda que acompanhada de pessoas incríveis por todos os lados. Descobrindo tudo sobre mim e gostando muito de estar em minha companhia. Tenho me cuidado mais do que aos outros, e isso, acredite, é um desafio pra que foi criada para servir ao próximo, e amar o outro como a si mesmo. Talvez eu nunca tenha me amado tanto pra entender como devia amar. E foram alguns vários meses de reflexão, meditação, sofrimentos, solidão, silêncio (ninguém acredita nessa parte já que sou tãaaao barulhenta). Andei só pela noite, pelas cidades, São Paulo, Brasília, Nova York, Blumenau, Caraíva, Itaúnas e até na Vila de São Jorge que me causava arrepios de medo, só alguns saberão porque. Encontrando as gentes, conhecendo desconhecidos. Levando e trazendo pessoas pra lá e pra cá. Desconhecidos que nunca seriam estranhos. Chegando cada vez mais perto de mim. Aceitando sem revolta que o melhor era seguir esse caminho, que vai se abrindo a cada passo, pessoa, gente, ou a cada km de estrada. Aventuras? Pode ser. Muitas! A maior aventura ninguém viu. Era eu aqui e agora, na cidade onde cresci e que evitei por tanto tempo. Vendo tudo mudar e continuar exatamente do mesmo jeitinho. O café fraco, a conversa polêmica, o olhar desconfortável. Até que não. Tudo foi se assentando no presente. Ainda sirvo um café bem forte, bem minha cara. Entendi que era isso mesmo, que eu era forte intensa e passional. Que faria tudo por acreditar em qualquer coisa e principalmente nos meus sentimentos e intuições. Essa sim me guia, a intuição, minha conexão com o universo. Ela sempre acerta. Até aquelas coisas que eu não poderia prever viriam como se fossem as únicas possibilidades possíveis. E eram. Tudo certo, em seu lugar. A casa. A rua. A filha. As memórias e os sonhos. A família sobretudo. Aceitei a família como ela é, e ela me aceitou. Ainda preferimos não tocar em certas questões muito delicadas, mas deixe que a hora chega. E lá, naquela hora saberemos o que fazer. Não estou velha demais das idéias, não. Nem me tornei uma sábia, longe disso. Mas já posso desfrutar do presente com alegria e tranquilidade. Aprendi a andar sozinha. Aprendi a amar cada companhia na hora que ela estivesse ali. De verdade? Me sinto conectada não só com as palavras e com as tecnologias. Sou capaz de pressentir os bons ventos vindo na minha direção. Já não preciso mais de alguém, mas quem vier, se estiver ligado ao melhor de si, será bem vindo. Se for passageiro, se for livre, também. Eu já sei reconhecer. Uma coisa é certa: sigo adiante nessa estrada que inexoravelmente chega lá. Mesmo que lá seja aqui. Em mim. No meu silêncio ou no meu canto. Eu sou.
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