Preciso não esquecer do que aconteceu ontem à noite, quando movidos pelo desejo de ver uma chuva de meteoros, passamos de raspão entre essa e outras vidas, o Luís, a Fê e eu.
Queria registrar primeiro os cogumelos cintilantes na beira do rio. O barulho da cachoeira, que segundo o Luís são vários barulhos juntos. Os cantos pra Oxum, Iansã, Ogum... As vozes lindas dos meus amigos. Aquele som, daquela noite clara e escura. A espera do céu se abrir e a gente enxergar com esses nossos olhos brilhantes de artistas cheios de esperança num mundo melhor possível. Na nossa história individual e em coletivos de luta e criatividade, e estudo, muito estudo. Trabalho no amor, nos sentidos e no que há de melhor em ser gente. Todos os sentidos, ali sentindo.
Tudo isso junto misturado naquele carrinho animado subindo pelas curvas sinuosas da Nova Rússia. Eles cantando as músicas mais loucas que eu já ouvi na vida. E um caminhão descendo perto de meia noite num domingo. Não caberiam dois carros. Não teria pra onde me jogar se não no precipício naquele vale de elfos e fadas. Ele freou mas veio na minha direção, raspou na minha porta devagar. Ainda bem. Poderia ter nos empurrado. Poderia ter me acertado em cheio. Poderia mas não pôde.
Tive coragem de contar pra minha mãe. rs. É, depois de tanto andarilhar por aí hoje eu moro com a minha mãe e tudo vai ficando cada dia melhor aqui no nosso clã (como diz minha irmã).
Ela me disse que sabia que alguma coisa ia acontecer e que não conseguiu dormir sem orar incansavelmente já que ela sabe que ninguém consegue me segurar quando boto uma coisa na cabeça. E eu sempre vou mesmo que ela tenha medo. Ela sempre tem medo. E eu sempre vou. Já conseguimos viver com isso.
Eu não morri, tá? E nem voltamos no meio do caminho. A noite foi linda... como era pra ser.
Gratidão à Grande Mãe, Pachamama, Mamamtúa, que me acolhe, me nutre e me deixa fluir no mato ou na cidade. E me faz renascer no dia 1º de agosto.
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Imagem retirada do site: http://www.espiritualidadefeminina.com.br/pachamama/

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