Muito bom esse tal desse "medo" vir bem no começo, vamos começar sentindo medo então deixando isso tudo chegar de dentro da gente. É tanto medo que tem até medo de sentir medo!
Mas eu ia falar da voz, da minha ou da sua, tanto faz. O fato é que ela sente, o medo, a paixão, o nervoso, o frio... Quando engolimos uma situação meio por obrigação fica aquele trem entalado na garganta. Tá, e a voz nisso tudo? A voz tá ali, dentro de tudo o que a gente sente. Cheia de memórias e infinitos "não consigo". Emoções, sentimentos, lembranças.
Eu e a minha voz temos uma relação bem próxima, eu preciso dela e ela de mim. Conversamos todos os dias. Até demais. Tem dia que ela não tá bem e eu deixo ela processar esses excessos da nossa vida, minha e dela. É um sacrifício pra mim ficar calada, mas às vezes eu fico por pura reflexão mesmo. Tem outros dias que ela não tá bem mas quer um carinho, um cuidado. Alongamentos bem leves, vibrações de língua bem gostosas, um chá de gengibre e maçã, gargarejo com romã, boa! Tudo certo.
Não. A minha voz não vem só da minha garganta e daqueles musculinhos lindos das minhas pregas vocais ou da minha língua ou até do maxilar. Ela se apaixona. Ela fica superficial em alguns momentos pra não sofrer e chora baixinho, escondido. Não dá, minha persona também não consegue se esconder atrás da minha voz. É inútil se esconder. E mais inútil ainda pensar que é uma técnica vocal que me ensina a cantar. Não ensina.
An????? Meus alunos vão me chamar de louca agora! Não é... não é essa musculatura, não é essa escala. Amor, é seu coração que precisa encharcar a música de humanidade! Pode errar o tempo, a nota, a respiração. Mas não me prive dos seus sentimentos! Ah, tá! E como faz isso?
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| Festival Candango Cantador 2013 - foto: Daniela Braga |
Primeiro acho que é importante se conhecer, se escutar com amor e paciência. Eu tenho uma paciência comigo que eu nem acredito! Enquanto a gente se massacrar todo trabalho atrasa. É remar contra a maré sendo a maré. Tem cabimento? Nenhum. Então vem. Traz isso tudo pra boca, solta no mundo essa loucura toda disfarçada de educação. Tudo vibra, tudo flui reverbera e volta, é só entrar no fluxo.
Outro dia, conheci um músico bem tagarela e agoniado feito eu que ficou doido me vendo falar pelos cotovelos. A gente tava falando de música, claro, e na mesma hora me disse: "A gente precisa se ouvir, música é muito mais ouvir!" Acho que o recado foi pra nós dois. Ando procurando uns silêncios depois disso. Mais do que isso, quero ficar confortável em silêncio sem estar necessariamente ultra-reflexiva "dentro do aquário" (como me diz minha irmã quando fico processando qualquer coisa). Quero ouvir o silêncio do outro e trazer pro universo os meus melhores sentimentos.
E vou continuar falando sobre isso em breve...

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